quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Poemas de Danubio Fialho

Poemas de Danubio Fialho.

A VIDA

No silencioso grito
D’uma semente
A vida explode

Numa efêmera existência
Da folha verde
Ao amarelo seco
É vida descolorindo

E no outono
Nos braços de uma brisa
O último balanço

Acalentada pela terra
Repousa

Na aparente sepultura
Explode
Para outro ciclo de vida.

Poemas Esparsos

Estes poemas são uma maravilha. Seu autor, Danubio Fialho, tem grande sensibilidade. Acredito que quer os ler ficará encantado. Nivalda

QUATRO DESFILES

I
Com sorrisos nos cadarços
Orgulhosos nos tênis marcham
Na batida forte o pó levanta
Empoeirando o uniforme azul
Na euforia de uma banda
II
No virar da ampulheta
O clarim desperta a ufania
Soprando bandeiras
Nas cores da imaginação
III
Até que ao som de um lamento rouco
O arrastar de chinelas gastas
Levantem as cinzas do tempo
Encobrindo pijamas rotos
IV
Um tanto estranho
O quarto desfile
Como uma bússola
Sempre o mesmo destino
No final da ruazinha

Sem ser menos belo
À sua passagem
As janelas não se abrem
Ouve-se no entanto a ladainha
E o sineiro como em meio a uma sesta
Bate lento aquele sino

Ornado em filigranas
Ponteando o cortejo
Em meio a lindas flores
Lá se vai o rabecão